Roberto Lúcio: Os 85 anos de Amir Haddad

A Editora Cobogó acaba de lançar “Amir Haddad de todos os teatros”, uma publicação que destaca a visão de mundo e o pensamento de um dos maiores nomes do teatro brasileiro.

Com uma trajetória singular, Amir Haddad é reconhecido como porta-voz de uma arte que se libertou do espaço convencional das salas de teatro e se aproximou do povo nas ruas, integrando as artes cênicas aos cenários urbanos – criando, com isso, um teatro tão inovador quanto político.

Nascido em Minas Gerais, Amir Haddad completa 85 anos e atualmente vive no Rio de Janeiro, onde se dedica em mais um trabalho inédito, um monólogo em que dirige Claudia Abreu, inspirado na vida e na obra de Virginia Woolf.

O livro é organizado pelos atores e diretores Claudio Mendes e Gustavo Gasparani a partir de pesquisas no acervo de Amir Haddad, contando também com um texto do crítico, professor e jornalista Daniel Schenker sobre a carreira do artista e sua contribuição para cena teatral brasileira.

É possível conferir nas mais de 170 páginas, o pensamento de Amir sobre Arte Pública, conceito que desenvolveu ao longo dos anos. Trata-se de uma concepção única do fazer teatral, liberto do espaço institucional para ganhar o espaço da esfera pública, das ruas e das praças, estreitando a relação com a plateia, na contramão de um teatro convencional. “A função teatral cumpre a função social essencial de recuperação do tecido social desgastado quando realizada em plena liberdade em espaços públicos, despertando no espectador a memória de antigas representações nunca vividas por ele, mas muito lembradas, colocando-o em contato com sua ancestralidade e devolvendo a ele a esperança de fazer parte da vida urbana em todos os seus aspectos”, afirma.

Por seus trabalhos como ator e diretor recebeu inúmeros prêmios dentre os quais se destacam o Prêmio Molière de Direção Teatral (1968) pela peça A construção, de Altimar Pimentel; o Prêmio Governador do Estado da Guanabara de Teatro de Melhor Diretor (1970) por O marido vai à caça, de Georges Feydeau; o Prêmio Shell na categoria Diretor (1989) por Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar; o Prêmio Sharp na categoria Diretor (1997) por Mercador de Veneza, de William Shakespeare, entre muitos outros. Em 2006, Amir foi agraciado com o título de Comendador da Ordem do Mérito Cultural e em 2019 recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1980 fundou o Tá Na Rua – com sede no bairro da Lapa, Rio de Janeiro –, grupo com o qual leva a arte do teatro para o espaço comum e aberto das ruas e praças, destacando a importância da arte fruída de forma pública, acessível e seu poder de transformação social, cultural e urbana.

A obra “Amir Haddad de todos os teatros” organizada por Claudio Mendes e Gustavo Gasparani é uma iniciativa da editora Cobogó e pode ser encontrado nas principais livrarias pelo preço de capa de 58 reais.

 

 

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