Ígor Lopes: Santiago de Compostela: um paraíso arquitetônico e de fé

Santiago de Compostela

Uma mistura de fé, turismo, valorização do patrimônio e desenvolvimento social. São estas as principais características de uma das principais cidades do noroeste espanhol, Santiago de Compostela, capital da comunidade autônoma da Galiza, parte integrante da província da Corunha e da comarca de Santiago. Um município com cerca de 220 km² de área e 98 mil habitantes.

Quem procura Santiago de Compostela geralmente está à espera de novas experiências no campo espiritual. Procura viver novas sensações, visitar locais emblemáticos e depositar a fé e a esperança em dias melhores nas variadas opções existentes a cada esquia, a cada igreja, a cada tradição. A começar pela mistura linguística, já que parte da população orgulha-se do espanhol falado, enquanto outro grupo aposta no Galego, escrito e falado, numa região rica, localizada a poucas horas de Madrid e do Norte de Portugal.

Pelas suas famosas ruas, muitos peregrinos caminham, já exaustos, ao cumprirem a sua fé cristã no Caminho de Santiago, Mas nada lhes tira a emoção ao encontrar a catedral maior e ao entregarem a Deus o seu sacrifício físico e a devoção emocional de alguém que simplesmente mudou durante a caminhada.

“A catedral de Santiago, de fachada barroca, alberga o túmulo de Santiago Maior, um dos apóstolos de Jesus Cristo. A visita a esse túmulo marca o fim da peregrinação, cujos percursos, os chamados Caminhos de Santiago ou Via Láctea, se estendem por toda a Europa Ocidental ao longo de milhares de quilômetros. Desde 1985 que o centro histórico, ou a cidade velha, está incluído na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Em 1993, foi também incluído nessa lista o Caminho de Santiago, que já tinha sido classificado como o primeiro itinerário cultural europeu pelo Conselho da Europa em 1987. Santiago de Compostela foi também uma das capitais europeias da cultura em 2000”, destacou o Turismo da Espanha.

Grandiosas festas

O dia 25 de julho é de celebração em Santiago de Compostela, porém, as festas em homenagem ao padroeiro da Espanha e da Galiza vivem o seu momento maior durante os “Fogos do Apóstolo”, que começam uns dez dias antes, quando é apresentado um completo programa de exposições, representações teatrais, espetáculos de rua e shows musicais.

Ao meio-dia do dia 24 de julho, os sinos da catedral anunciam o que acontecerá nessa mesma noite. A praça do Obradoiro fica cheia de luzes e cores em um espetáculo que transporta o visitante para um mundo mágico, de acordo com as autoridades espanholas. O mais surpreendente são as projeções multidimensionais sobre a Catedral, que parece ganhar vida. Além disso, é tradição queimar um castelo pirotécnico que imita a fachada. Danças regionais e música de gaitas também participam desta festa. Shows e festas enchem todos os cantos da cidade para comemorar o Dia de Santiago. Na Catedral tem lugar a Oferenda ao Santo e o Botafumeiro, que se trata de um imenso incensário.

Um olhar para cada visitante

Santiago de Compostela situa-se 70 km a Sul da Corunha, 65 km a Norte de Pontevedra, 100 km a Noroeste de Ourense e 115 km a Norte da fronteira portuguesa de Valença. Como capital da Galiza, a cidade conta com a sede do parlamento e do governo regionais – Junta da Galiza. Existe também uma imponente e bastante procurada cidade universitária, fundada em 1495 e que, no ano letivo de 2019-2020, tinha mais de 25 mil alunos inscritos, muitos brasileiros.

O clima é propício para uma boa viagem. Santiago de Compostela tem um clima de tipo oceânico húmido com temperaturas amenas ao longo de todo o ano, com média anual de aproximadamente 15 °C, 8 °C no inverno e 25 a 27 °C no verão.

Tudo joga a favor quando o assunto é conhecer e vivenciar a cidade. Abaixo, alguns dos pontos turísticos imperdíveis nesta cidade espanhola, que preza pela limpeza, segurança, proteção ambiental e manutenção dos espaços verdes.

– A catedral de Santiago é o final da viagem dos peregrinos, e a sua monumentalidade é digna de tamanho mérito. É uma obra chave do românico na qual confluem, no entanto, numerosos estilos arquitetônicos. A construção da catedral começou no ano 1075, sob o reinado de Alfonso VI e promovida pelo bispo Diego Peláez. Foi construída com três naves e planta em cruz latina, numa superfície de uns 8.300 metros quadrados. Suas inúmeras ampliações uniram no edifício diversos estilos arquitetônicos (românico, gótico, barroco, plateresco e neoclássico). O Pórtico da Glória é sua entrada principal. Foi construído pelo Mestre Mateo em 1188 e contém duas centenas de figuras alusivas ao Apocalipse. Nele, a figura do Apóstolo Santiago parece dar as boas-vindas aos peregrinos, sustentado por uma coluna que sai do mainel. A fachada da praça do Obradoiro de la Catedral é obra de Fernando de Casas y Novoa, e é considerada uma das expressões máximas do barroco espanhol. O altar principal também é de estilo barroco, e debaixo do mesmo está a cripta do Apóstolo Santiago.

O Museu do Povo Galego foi criado em 1976 e está situado no antigo convento de Santo Domingo de Bonaval. As peças expostas mostram os diferentes aspetos que definem a cultura galega. Conta com diferentes salas dedicadas ao mar, aos ofícios, ao campo, à indumentária, à música, ao habitat e à arquitetura. Possui também duas seções destinadas à arqueologia e à pintura e escultura.

– Já o Centro Galego de Arte Contemporânea contém terraços de onde se obtém uma das melhores vistas do centro histórico de Santiago de Compostela, comprovado pelos visitantes. Este Centro trata-se de um impressionante edifício obra do arquiteto português Álvaro Siza que, junto com o Mosteiro de San Domingos de Bonaval e o parque homônimo, constitui um conjunto harmônico onde se conjuga a tradição e a modernidade da cidade. No interior pode-se contemplar, junto à coleção da Fundação Arco, fundos de artistas galegos contemporâneos e um variado número de exposições temporárias sobre as principais tendências artísticas da atualidade.

– A Casa do Cabildo possui uma fachada barroca. O local, construído em 1758, foi projetado pelo arquiteto Clemente Fernández Sarela em 1758, e a sua função é ornamental, já que ajuda a fechar e embelezar a praça de Las Platerías. A Casa do Cabido (Conselho Municipal) serviu de inspiração para Valle-Inclán escrever o conto “Minha irmã Antonia”. Foi restaurada pelo Consórcio de Santiago no ano 2011, e, desde então, faz parte da rede de museus da cidade histórica.

– O Museu da Catedral de Santiago de Compostela é muito valioso e procurado. Através da Plaza del Obradoiro acessa-se o Museu Diocesano, que ocupa a parte mais ocidental do claustro da Catedral de Santiago. O museu guarda entre os seus fundos importantes amostras arqueológicas, escultura, pintura, ourivesaria, tapeçarias, tapetes, roupa litúrgica, cerâmica e mobiliário. Também acolhe a biblioteca, na qual se conservam livros e exemplares de valor incalculável, como o Codex Calixtinus, Liber Sancti Jacobi, Los Tumbos ou A História Compostelana, assim como uma infinidade de documentos de singular importância para a história da Galiza e, sobretudo, da Igreja Compostelana. Os fundos do museu estão repartidos em várias salas que abrigam uma importante coleção de tapeçarias feitas sob cartões de Ginés de Aguirre, Teniers, Rubens, Van Tulden, Bayeu e Goya. A este pintor está dedicada uma das dependências, onde se expõem doze tapeçarias da Real Fábrica de Santa Bárbara de Madri. Duas delas são exemplares únicos: O Menino do Carrinho de Mão e A Fonte.

– O Palácio de Raxoi é um antigo seminário de confessores. Está localizado em frente à Catedral, na praça do Obradoiro. Foi construído pelo arcebispo Raxoi em 1766 e projetado pelo francês Carlos Lemaur. Possui uma fachada neoclássica que se sustenta sobre um alpendre de granito com 14 arcos de meio ponto. Originalmente, usou-se como seminário de confessores, apesar de que, atualmente, é a sede da Prefeitura da cidade e do Governo da Galiza.

– O Hostal dos Reis Católicos é uma joia da arte arquitetônica criada para hospedar os peregrinos. Fundado pelos Reis Católicos para servir de abrigo para os peregrinos que chegavam pelo Caminho de Santiago, é um dos monumentos de maior destaque da famosa praça do Obradoiro. Foi fundado em 1499 e dedicado ao alojamento dos peregrinos que, ao concluir o percurso pelo Caminho de Santiago, chegavam ao seu destino. Trata-se de um belíssimo edifício gótico que, na atualidade, foi transformado em hotel Parador de Turismo. Um dos elementos mais destacáveis é sua bonita fachada plateresca gradeada, que data do século XVI. Nela podem ser observados, aos dois lados da porta, dois medalhões com as efígies dos Reis Católicos. Tem quatro pátios internos. Um dos elementos mais destacáveis é a belíssima capela de Enrique de Egas.

– O Paço de San Lorenzo de Trasouto é considerado um exemplo de mosteiro medieval transformado em residência palaciana. A sua origem é do século XIII, quando Martín Arias, bispo de Zamora, fundou uma ermida dedicada a San Lorenzo, que, mais tarde, se converteu em um modesto eremitório da ordem franciscana rodeado de densos carvalhais. O paço conta com jardins externos que se destacam mais por sua riqueza e variedade botânica do que por seu traçado. Mas o lugar que merece mais destaque em relação aos jardins é o seu especial e insólito claustro. Trata-se de um espaço de planta quase quadrada, contornado por uma galeria aberta no andar inferior e envidraçada no superior, e um passeio perimetral que encerra um jardim com buxos recortados formando desenhos que, com o decorrer dos anos, se converteram em estranhos hieroglifos cujo significado é difícil de compreender. Conta com um restaurante para eventos especiais.

De lamber os dedos…

Santiago de Compostela conta também com boa cozinha. Fazer o Caminho também é uma viagem gastronômica que faz os visitantes passarem por povoados famosos pela sua cozinha e provando pratos típicos, deixando-se levar pelos sabores. Ao percorrer este roteiro, certamente vai ouvir mais de uma vez: Como se come bem no Norte da Espanha!

Desfrute de Santiago de Compostela. Aproveita as suas paisagens, a sua arquitetura e as oportunidades de entretenimento. A parte religiosa marca esta cidade, que tem também belos parques, boas áreas verdes e locais ideais para toda a família, além de receber milhares de peregrinos durante todo o ano.

Ígor Lopes

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