André Conrado: Portugal – Verão 2022 – Sintra - Parte 2

Foto do Parque e Palácio Nacional da Pena – Turismo Portugal – @aclubtour

Parque e Palácio da Pena

O Principal cartão postal de Sintra em Portugal situa-se no Monte da Pena. Representa o primeiro palácio do revivalismo romântico na Europa no século XIX. Moradia de reis e de rainhas, o palácio foi construído na área de um antigo convento e fora criado por Dom Fernando. Ele casou-se com a rainha D. Maria II, primeira filha de Dom Pedro I do Brasil e IV de Portugal e a Arquiduquesa Leopoldina. Ali decidindo estabelecer o palácio de verão da família real.

D. Fernando II foi um dos homens mais cultos de Portugal, durante o século XIX. Poliglota, dominava as línguas alemã, húngara, francesa, inglesa, espanhola, italiana e, claro, a portuguesa. Na infância, o ainda então Duque de Saxe-Coburgo e Gotha teve uma cuidada educação onde as artes, em particular a música e o desenho, desempenharam um papel fundamental. Durante toda a sua vida teve uma grande ligação às artes, enquanto autor, colecionador e mecenas, tendo ficado conhecido como Rei-Artista.

Foto antiga do Rei Fernando II e Rainha D. Maria II de Portugal - Museu da Ajuda

Pouco depois da sua chegada a Portugal apaixonou-se por Sintra, e adquiriu, com a sua fortuna pessoal, o Mosteiro de São Jerónimo, em ruínas, bem como toda a mata que o envolvia. Este mosteiro quinhentista exerceu sobre o rei um enorme fascínio, radicado na sua educação germânica e no imaginário romântico da época que a serra, e a valorização estética das ruínas, atraíam. O projeto inicial era, apenas, a recuperação do edifício para residência de verão da família real, mas o seu entusiasmo levou-o a decidir-se pela construção de um palácio, prolongando a construção pré-existente, sob a direção do Barão Wilhelm Ludwig von Eschwege, mineralogista e engenheiro de minas então residente em Portugal.

Foto da Pintura do antigo Mosteiro de São Jerônimo - Sintra - Portugal - Séc XVIII - Museu Nacional

O edifício é circundado por outras estruturas arquitetônicas que apelam ao imaginário medieval com os caminhos de ronda, torres de vigia, um túnel de acesso e até uma ponte levadiça. O palácio incorpora referências arquitetônicas de influência manuelina e mourisca que produzem um surpreendente cenário “das mil e uma noites”.

Após a morte de D. Maria II, em 1853, D. Fernando volta a casar com Elise Hensler, cantora de ópera e Condessa d´Edla. Juntos construíram o Chalet da Condessa d’Edla, situado no Parque da Pena. É uma construção de dois pisos com forte carga cénica, de inspiração alpina, que mantinha uma expressiva relação visual com o Palácio.

Foto do Chalet da Condessa de D'Edla - Parques de Sintra

Já a segunda fase de ocupação da Pena pela Família Real é marcada presença do rei D. Carlos I (1863-1908) e da rainha D. Amélia de Orleães (1865-1951).

Estes monarcas irão habitar o palácio durante parte da época de verão, antes de passarem também algum tempo na Cidadela de Cascais. O filho, D. Manuel II, também passou largas temporadas neste palácio, onde manteve os seus antigos aposentos de infante no piso nobre do Torreão, ainda que utilizasse os antigos quartos do pai no piso inferior do claustro para funções oficiais.

Foto histórica do Rei D. Manuel II - 1908 - Palácio da Pena

O estilo do Palácio da Pena é a contemplação de vários estilos juntos. Desde o neo-gótico, neo-islâmico, neo-renascentista e neo-manuelino, com jardins em estilo inglês, e uma infindável variedade de espécies exóticas de árvores e plantas. Já no interior do castelo, pode-se ver a decoração escolhida pela realeza da época, com destaque especial para os azulejos.

No parque, traduzindo a expressão da estética romântica e aliando a busca do exotismo à impetuosidade da natureza, o rei desenhou caminhos sinuosos que conduzem o visitante à descoberta de locais de referência ou de onde se desfrutam vistas notáveis: a Cruz Alta, o Templo das Colunas, o Alto de Sta. Catarina, a Gruta do Monge, a Fonte dos Passarinhos, a Feteira da Rainha e o Vale dos Lagos. Ao longo dos caminhos, com o seu interesse colecionista, plantou espécies florestais nativas de todos os continentes que fazem com que os 85 hectares do Parque da Pena se traduzam na mais importante vegetação o existente em Portugal. Destacam-se as coleções de camélias asiáticas, introduzidas por D. Fernando II no Parque da Pena na década de 1840 e que se tornaram o ex-libris do inverno sintrense sendo motivo de bailes e festas. O exótico arvoredo enquadra pavilhões e pequenas edificações, compondo um cenário de inigualável beleza natural; mas também, de grande relevância histórica e patrimonial.

Foto do Parque Nacional de Sintra - Visit Portugal

É no Palácio da Pena que a Rainha D. Amélia é surpreendida pela Proclamação da República, a 5 de outubro de 1910, de onde sai para Mafra para se juntar à sogra, D. Maria Pia, e ao filho, D. Manuel, indo embarcar na Ericeira no iate real D. Amélia rumo a Gibraltar.

O Palácio da Pena foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e é o mais importante polo da Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1995.

No ano 2000, o Parque da Pena passou a ser administrado pela “Parques de Sintra”, que, em 2007, recebeu também a gestão do palácio. Em 2013 o Palácio Nacional da Pena passou a integrar a Rede de Residências Reais Européias.

Foto dos salões do Palácio Nacional da Pena - Sintra - Portugal - Parques de Sintra

Ao longo dos anos, a Parques de Sintra tem realizado um trabalho constante de conservação, restauro e revalorização do vasto patrimônio que o Parque e Palácio da Pena englobam, destacando-se o projeto de reconstrução do Chalet da Condessa d’Edla – distinguido, em 2013, com o Premio União Européia para o Patrimônio Cultural – Europa Nostra, na categoria de Conservação – e o restauro integral do Salão Nobre do Palácio da Pena.

 

Fontes:

@aclubtour

Parques de Sintra

Turismo de Portugal

Visit Portugal

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