Pedro Stephan: Coluna Paulicéia em Rosa

Remom Bortolozzi junto com alguns exemplares da coleção de periódicos na Casa 1

Texto e Fotos por Pedro Stephan

Você sabe o que é Acervo Bajubá? É um grupo pioneiro na coleta e preservação da memória lgbti+ brasileira, sua ação é fundamental para a nossa comunidade, visto que são poucos os órgão institucionais que se ocupam da preservação da memória lgbti+ no Brasil. O coletivo tem sede num bairro da zona sul de São Paulo e concedeu essa entrevista exclusiva para Revista do Villa onde contou um pouco da sua história.

O que é acervo Bajubá e para que serve?

O Acervo Bajubá é um um projeto comunitário de registro de memórias das comunidades LGBT+ brasileiras. Além de reunir uma coleção de itens que registram a diversidade sexual e a pluralidade de expressões de gênero no Brasil, o Bajubá colabora com exposições, capacitações e projetos de produção, mediação e circulação de narrativas sobre as histórias de pessoas LGBT+.

Como surgiu a ideia de criar esse acervo?  

O Acervo Bajubá se iniciou em 2010, por iniciativa de um grupo de artivistas, artistas, colecionadores e pesquisadores LGBTQIA+ em Brasília. O seu objetivo foi constituir um acervo voltado para a preservação, salvaguarda e investigação historiográfica da arte, memória e cultura LGBT+. Para tanto, voltou-se para a aquisição de documentação em diversos suportes que tematizem a diversidade sexual e a pluralidade de expressões de gênero no Brasil.

Quando vocês vieram para São Paulo?

Em 2014,  Acervo mudou-se para São Paulo visando ampliar seu acesso e  circulação. Além do desenvolvimento de um site com digitalização de alguns itens e presença em mídias digitais próprias, o Bajubá estabeleceu diálogo com pessoas pesquisadoras, como João Silvério Trevisan, que o acessou para uma pesquisa iconográfica da última edição de sua obra Devassos no paraíso. O Acervo Bajubá desenvolveu ainda atividades de formação e colaborou com exposições junto ao SESC SP, Museu da Diversidade, Memorial da Resistência, IMS, MASP, FAU-USP, entre outros. 

Natan Firmino que integra o coletivo posa com dois exemplares do histórico jornal "Lampião da Esquina" do anos 70 na atual sede no GIV

E mais recentemente o que aconteceu?

A partir de 2019, o Acervo passou a se constituir como um projeto comunitário, em diálogo com os espaços que receberam a sua coleção: primeiro, a Casa 1, entre 2019 e 2021; e, desde o início deste ano, a organização não-governamental de enfrentamento à epidemia de hiv e aids, Grupo de Incentivo à Vida (GIV). Dessa forma, para além da aquisição de novos itens, o Acervo se constituiu como um espaço propulsor de projetos de produção, circulação e mediação de narrativas sobre as memórias e histórias de pessoas LGBT+. 

Que tipos de coisas compõem o acervo?

A coleção do Acervo Bajubá conta hoje com itens diversos, como obras de arte, periódicos, fotografias, audiovisuais, LPs, CDs, cartazes, bottons e camisetas de ativismo produzidos por pessoas LGBT+ brasileiras, além de produções LGBT+ estrangeiras traduzidas e que circularam pelo país. 

Qualquer pessoa pode ter acesso? Como se faz isso digitalmente? e presencialmente? Onde fica presencialmente o Acervo?

O Acervo Bajubá está localizado na sede do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), na Vila Mariana, São Paulo. Qualquer pessoa pode ter acesso ao Acervo presencialmente, agendando previamente por e-mail. Porém, neste momento, não estamos recebendo visitas de pesquisadores, para poder viabilizar o processo de produção de um inventário que reúna as informações sobre os itens do Acervo. 

O público em geral pode contribuir doando coisas relacionadas a história da comunidade lgbti+ que considerem relevantes? Como fazer isso?

Sim, nós aceitamos doações de coleções pessoais. Para fazer isso, é necessário enviar um e-mail para acervobajuba@gmail.com, para coordenarmos a retirada ou entrega do material.

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