André Conrado: Portugal – Verão 2022 – Sintra - Parte 3

Foto do Palácio Nacional de Sintra – Parques de Sintra – Portugal

O Palácio Nacional de Sintra, também conhecido como Palácio da Vila, foi um dos palácios utilizados pela Família Real Portuguesa praticamente até ao final da Monarquia, em 1910.

De implantação urbana, a sua construção iniciou-se no século XV, com traço de autor desconhecido.

Apresenta características de arquitetura medieval, gótica, manuelina, renascentista e romântica. É considerado um exemplo de arquitetura orgânica, de conjunto de corpos aparentemente separados, mas que fazem parte de um todo articulado entre si, através de pátios, escadas, corredores e galerias. Possui o maior conjunto de azulejos mudéjares do país.

História

O Palácio Nacional de Sintra, situado no centro histórico da Vila, é um monumento único e incontornável pelo seu valor histórico, arquitetônico e artístico.

Foto aérea do Palácio Nacional de Sintra - Nacional Palace - Sintra - PT

De todos os Palácios que os monarcas portugueses mandaram erigir ao longo da Idade Média, apenas o de Sintra chegou até aos dias atuais praticamente intacto, mantendo a essência da sua configuração e silhueta desde meados do século XVI. As principais campanhas de obras posteriores à Reconquista cristã (século XII) foram promovidas pelos reis D. Dinis, D. João I e D. Manuel I, entre finais do século XIII e meados do século XVI. Estas obras de adaptação, ampliação e melhoramento determinaram a fisionomia do palácio.

Foto histórica de Postal do Palácio Nacional de Sintra - Séc XVIII - Parques de Sintra

As primeiras alusões a estruturas palacianas em Sintra são anteriores à Reconquista. O geógrafo árabe Al-Bakrî (século XI) refere, em Sintra, dois castelos de extrema solidez.

Estes seriam o situado no cume da serra, que ainda é chamado Castelo dos Mouros, que falamos na matéria passada e o que existiria no local do atual palácio, implantado junto à povoação, na antiga Almedina. Teria servido como habitação dos governantes mouros e, após 1147, dos reis cristãos, na seqüencia das conquistas de Santarém e de Lisboa.

O Paço Real – As principais campanhas de obras

Após a retomada de Sintra, decorreu algum tempo até os reis portugueses começarem a freqüentar o Palácio com maior assiduidade, sobretudo depois de Lisboa se afirmar como sede do poder central. A proximidade da capital, o clima privilegiado, a paisagem, a abundância de fauna e flora; condições de caça foram fatores determinantes na escolha de Sintra como refúgio da Corte durante os meses de verão.

D. Dinis (reinado, 1279-1325) foi, provavelmente, o primeiro monarca a interessar-se pelo paço sintrense, uma vez fixados os limites do território português.

Os seus aposentos situar-se-iam na parte mais elevada do edifício, a norte, junto da Capela Palatina que mandou construir. Este corpo ainda sobrevive e um dos seus espaços mais antigos é o conhecido como Quarto-Prisão de D. Afonso VI.

Foto histórica do interior (entrada) do Palácio Nacional de Sintra

As grandes transformações e alargamentos do Palácio datam do período de D. João I (reinado, 1385-1433), no primeiro quartel do século XV, tendo-se atribuído as obras a João Garcia de Toledo. O novo paço, mais amplo e faustoso, organiza os aposentos em torno do Pátio Central, justapostos e comunicando entre si, com funções diversas, em parte referidas no manuscrito Medição das Casas de Cintra que o rei D. Duarte deixou. Destaca-se a fachada principal da construção “Joanina”, voltada para a vila, quase totalmente ocupada pela Sala dos Cisnes, principal espaço de aparato. A distribuição do conjunto de salas anexas respondia a um critério de crescente privacidade, segundo o modelo de várias antecâmaras (Sala das Pegas, de D. Sebastião, das Sereias, onde se localizava o guarda-roupa, e de Júlio César), câmara ou quarto de dormir (Sala dos Árabes) e trás-câmara (Quarto de Hóspedes). Deste modo, as divisões mais afastadas da Sala dos Cisnes seriam as mais restritas e íntimas. Fechando este conjunto, erguem-se do lado nascente as cozinhas, cujas monumentais e duplas chaminés cônicas se tornaram no ex-líbris do palácio e da própria vila de Sintra.

Deve-se a D. Manuel I (reinado, 1495-1521) as campanhas de obras destinadas a embelezar e beneficiar o Palácio, destacando-se os elementos decorativos manuelinos (portas e janelas) e mudéjares (revestimentos azulejares), bem como dois novos corpos que engrandeceram o paço real: a ala nascente, destinada aos aposentos de D. Manuel, e a Torre coroada pela Sala dos Brasões.

Foto de Imagem histórica do Palácio de Sintra - Séc XVI - credito Palacios Antigos

Ao longo dos séculos seguintes, poucas intervenções tiveram um impacto profundo no perfil do Palácio e o acontecimento mais significativo nele ocorrido, posterior ao reinado de D. Manuel, terá sido o cativeiro de um rei sem trono, D. Afonso VI, episódio que marca o fim do período mais intenso de habitação real.

Foto de pintura Histórica do Rei Afonso VI de Portugal - Rei sem trono

O Palácio Nacional de Sintra foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e integra-se na Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1995.

Em 2013 passou a integrar a Rede de Residências Reais Europeias, uma das inúmeras visitas imperdíveis da bela Sintra!

Palácio Nacional e Jardins de Queluz

Foto do Palácio Nacional de Queluz - @aclubtour

Em 1654, D. João IV cria a Casa do Infantado, que inclui a Casa de Campo de Queluz, mandada construir pelo primeiro Marquês de Castelo Rodrigo, D. Cristóvão de Moura, e confiscada após a Restauração da Independência, em 1640. Nessa altura, o local é doado ao infante D. Pedro, primeiro senhor da Casa do Infantado e futuro D. Pedro II de Portugal.

Em 1747, o Infante D. Pedro, terceiro Senhor da Casa do Infantado e futuro rei D. Pedro III (por casamento com D. Maria I) encarrega o arquiteto Mateus de Vicente de Oliveira de ampliar o chamado “Paço Velho”. Anos mais tarde, em 1760, o anúncio do casamento de D. Pedro com a herdeira do trono, a princesa D. Maria, motiva obras mais profundas, que visam conferir à propriedade a envergadura de Palácio Real. Nesta fase, os trabalhos ficam a cargo do arquiteto e ourives Jean-Baptiste Robillion. Alheio à política e às intrigas da coroa e possuidor de uma considerável fortuna e de hábitos requintados, D Pedro III dedica a sua atenção a este local, transformando-o num espaço de lazer e entretenimento da Família Real e recheando-o de salas de aparato, como a Sala do Trono ou a Sala dos Embaixadores. Nos jardins, a decoração é marcada por diversos grupos escultóricos que evocam a mitologia clássica, de que se destacam as estátuas em chumbo do atelier londrino de John Cheere.

Após o incêndio da Real Barraca da Ajuda, em 1794, onde a Família Real vivia em permanência desde o terremoto de 1755, o Palácio de Queluz torna-se residência oficial da rainha D. Maria I – que enviuvara – e, posteriormente, dos príncipes regentes D. João VI e D. Carlota Joaquina, o que exigiu a adaptação de alguns espaços interiores e a construção de novos edifícios para acomodar a Corte, a Guarda e a criadagem. Queluz passou, assim, a ser o local onde a Corte ia para desfrutar de momentos de lazer, assistir a serenatas, cavalhadas e espetáculos.

O palácio é habitado em permanência até a partida da Família Real para o Brasil, quando aconteceram as invasões francesas, em 1807, um dia antes da entrada das tropas napoleônicas em Lisboa, sob o comando do general Junot. Conta-se que, neste ano, o próprio Junot visita o palácio, tendo chegado a alimentar o sonho de ali vir a instalar Napoleão Bonaparte.

Em 1821, D. João VI regressa a Portugal, mas o palácio só volta a ser habitado, em regime de semi-exílio, pela rainha D. Carlota Joaquina que é acusada de conspirar contra o marido. Todavia, os tempos áureos das alegres celebrações não mais voltariam a animar aquele espaço.

A geração seguinte, marcada pela Guerra Civil que opôs os irmãos D. Miguel e D. Pedro IV de Portugal e primeiro Imperador do Brasil, encerrou a vivência real do Palácio de Queluz.

D. Miguel, defensor da causa absolutista, habitou o palácio, enquanto rei e durante o período sangrento da guerra, na qual confrontou o seu irmão D. Pedro IV, que lutou para impor o liberal constitucionalismo. D. Pedro vence a guerra, mas, por se encontrar doente, abdica do trono de Portugal a favor da sua jovem filha, D. Maria II. É no Palácio de Queluz, no quarto D. Quixote, onde nasceu e faleceu D. Pedro.

Foto histórica da pintura da morte de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal - Parques de Sintra

Anos mais tarde, em 1910, Palácio Nacional de Queluz foi classificado como Monumento Nacional. A partir de 1957, o Pavilhão D. Maria I, ala nascente deste palácio, passou a ter funções de residência dos Chefes de Estado estrangeiros em visita oficial a Portugal.

Atualmente, o Palácio Nacional de Queluz e os seus jardins históricos constituem um dos exemplos mais notáveis da ligação harmoniosa entre paisagem e arquitetura palaciana em Portugal, que muito se importa preservar.

Foto das estátuas e Jardins do Palácio Nacional de Queluz

Fontes:

@aclubtour

Parques de Sintra

Palácio de Queluz – PT

Visit – Portugal

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